Neste ano, 1325 civis foram mortos no Afeganistão. Na quinta-feira 5 (de agosto), os talebans fuzilaram oito pessoas que estavam em missão humanitária. Uma equipe composta de médicos, oftalmologistas, dentistas e enfermeiros. As vítimas foram condenadas à morte por proselitismo religioso. A prova única considerada pelos talebans era uma Bíblia católica em língua dari. A Bíblia fora encontrada no interior do Jipe que os transportava.
A equipe era chefiada pelo médico norte-americano Tom Little e foi surpreendida na região nordeste. Apenas o motorista do veículo, um afegão, foi poupado. E somente porque foi surpreendido ao orar por Alá. As vítimas estavam há anos no Afeganistão e trabalhavam como voluntários para a International Assistance Mission (IAM), organização não governamental cristã.
Para os talebans, os agentes humanitários, com a Bíblia, atentaram à pureza religiosa mantida na região. Na verdade, uma postura de quem não tolera coexistir com pessoas de fé diversa. Nesse massacre, os agentes humanitários fuzilados não tinham ligações com as tropas dos EUA ou das forças internacionais (Isaf). Para os talebans e seus apoiadores, como já difundido em panfletos, os judeus e os cristãos, chamados de cruzados, devem ser eliminados da face da terra.
Revista Carta Capital, 18 de agosto de 2010, página 19